Postbiótico, a nova aposta de suplemento para a saúde do intestino

- O probiótico que você compra pode não chegar vivo ao intestino e é aí que entram os postbióticos
- Primeiros achados científicos são promissores e o suplemento já existe no Brasil
Já fazem alguns anos que a saúde do intestino se tornou uma prioridade da medicina com cada vez mais estudos comprovando a importância do órgão para o bom funcionamento do nosso organismo. Já sabemos, por exemplo, que vários microrganismos habitam nosso corpo e que a maioria deles (algo na casa dos trilhões) vive no intestino: é a tal microbiota intestinal. O que estudos recentes mostraram é que além de bactérias vivas, microrganismos inativados e seus componentes também exercem efeitos benéficos no organismo. São os chamados postbióticos.



Os postbióticos são entendidos como componentes bioativos de microrganismos que estão mortos. Isto é, são células microbianas que já não estão vivas ou seus componentes, como fragmentos de paredes de células e enzimas. Neste sentido, são diferentes dos mais conhecidos prebióticos e probióticos. Os prebióticos são compostos não digeríveis (geralmente fibras) que servem de alimento para os microrganismos benéficos do intestino. Já os probióticos são microrganismos vivos que, quando ingeridos na quantidade e temperatura certa, também melhoram nossa saúde intestinal. E o problema dos probióticos deriva precisamente dessa questão: eles são organismos instáveis e muitos não sobrevivem ao processo de produção, armazenamento ou mesmo à passagem pelo sistema digestivo.
Os probióticos já são um suplemento bastante popularizado no Brasil, apesar do preço elevado e de uma eficácia que, na prática, ainda gera dúvidas, principalmente no que diz respeito a sua capacidade de prevenir doenças. Em sua coluna na BBC, o professor de epidemiologia genética da King’s College, em Londres, Tim Spector, explica a dificuldade com a suplementação de probiótico: “Muitos deles costumam conter só um ou poucas espécies bacterianas”. Alguns alimentos fermentados contêm probióticos e prebióticos e podem ser uma alternativa mais barata e eficaz, como o kimchi.
Os estudos sobre postbióticos ainda estão em estágios iniciais, mas os primeiros resultados apontam para o fortalecimento da barreira intestinal, uma melhoria no sistema imunológico e propriedades anti-inflamatórias. O tipo mais pesquisado até agora envolve a Akkermansia, uma bactéria que inativa ajudaria justamente na barreira intestinal, prevenindo que toxinas do intestino entrem na corrente sanguínea. Ainda segundo Spector, este postbiótico está associado a uma melhor saúde do metabolismo, controle de glicose no sangue e perda de peso. No Brasil, a oferta desse tipo de suplemento ainda é pequena, mas é possível encontrar alguns produtos importados dos EUA em lojas online ou ainda buscar manipulação em farmácias especializadas.