A saúde do intestino: o que sabemos sobre as fibras que ingerimos

 A saúde do intestino: o que sabemos sobre as fibras que ingerimos
  • O intestino abriga mais de 500 milhões de neurônios e é responsável pela produção de 90% da serotonina do nosso organismo
  • O fibermaxxing virou trend no TikTok, mas especialistas alertam que o aumento no consumo de fibras deve ser gradual

Apelidado de “segundo cérebro”, o intestino é o órgão que mais abriga neurônios fora do cérebro no corpo humano: são mais de 500 milhões. Além disso, ele é responsável por mais de 90% da produção de serotonina (hormônio ligado à sensação de bem-estar). Não à toa, muitas vezes estresse e ansiedade vêm acompanhados de sintomas de mal-estar intestinal. Considerado central para nossa saúde, o intestino virou tema de diversos estudos e é assunto recorrente entre aqueles que buscam uma vida mais saudável. Ainda assim, pouco se sabe sobre um elemento importantíssimo para o seu bom funcionamento: as fibras.

Segundo especialistas, o ideal é ingerir entre 30 e 35 gramas de fibras por dia. Existem dois tipos de fibra: as solúveis e a não solúveis. As do primeiro tipo são encontradas em polpas de fruta ou farelo de aveia. Já as segundas estão nas verduras e cascas de fruta, por exemplo. Juntas, elas ajudam a movimentar nosso intestino. Em casos onde esta meta diária não é alcançada, profissionais recomendam suplementos, mas alertam: fibras vindas de fonte naturais contém também vitaminas e minerais, são alimentos mais “completos” e portanto devem ser priorizados.

“Fibermaxxing”: a nova trend do TikTok

Basta uma busca rápida no TikTok ou no Instagram para se deparar com milhares de conteúdos sobre fibermaxxing. A nova trend de bem-estar nas redes sociais nada mais é do que uma instrução básica (e muito antiga de médicos e nutricionistas): comam mais fibras. Diferente de várias tendências das redes sociais, esta parece inofensiva. Mas especialistas alertam que o aumento no consumo de fibra deve ser gradual. Uma mudança muito significativa na ingestão desse nutriente pode levar a desconfortos e constipação, ainda mais quando não vem acompanhado com o consumo adequado de água.

A nova geração já nasce em um ambiente onde a relação do intestino com nossa saúde, longevidade e até cognição é amplamente estudada e comprovada e essa pode ser a origem desse tipo de trend. Além disso, parte desse interesse crescente também pode estar ligado a uma preocupação real com doenças que antes pareciam distantes dos jovens.Tradicionalmente associado a pacientes idosos, o câncer colorretal tem sido cada vez mais recorrente entre pessoas entre 18 e 50 anos. No Brasil, por exemplo, é hoje o segundo tipo de câncer mais frequente entre homens e mulheres. E um dos fatores de riscos é justamente a alimentação: uma dieta rica em alimentos ultraprocessados aumentaria muito as chances da aparição desse tipo de câncer. Como na maioria dos casos, a recomendação médica é priorizar alimentos naturais. Além de fazer o rastreio a partir dos 45 anos de idade (ou ainda antes, no casos de pessoa com histórico familiar de câncer colorretal) e manter uma rotina de exercício e hábitos saudáveis. Claro que os suplementos sempre podem nos ajudar na complementação de nutrientes de que somos deficitários, mas é importante ter o acompanhamento de um profissional. Assim, evitamos que novos hábitos criados com as melhores das intenções acabem ou não tendo efeito ou criando novos problemas ao invés de soluções.

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