Do pulso ao cérebro: os wearables agora querem monitorar a mente

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Do pulso ao cérebro: os wearables agora querem monitorar a mente
  • O mercado de wearables dedicados ao cérebro deve crescer três vezes mais rápido que os monitores de saúde tradicionais até 2035
  • A tecnologia levanta uma questão urgente sobre armazenamento e proteção de dados

Os primeiros wearables a surgirem no mercado eram relógios simples que monitoravam basicamente número de passos e atividade física. Hoje, esses acessórios reúnem cada vez mais marcadores: sono, pressão arterial, frequência cardíaca, entre outros. E agora um novo campo parece estar se consolidando: os wearables voltados para atividade cerebral. De acordo com um relatório publicado pela Neurable (uma das marcas pioneiras nesse tipo de wearable), o mercado de devices dedicados a ler atividade cerebral deve pular de U$ 2,87 bilhões, em 2024, para U$ 15,14 bilhões, em 2035 – um crescimento três vezes maior do que os mercados de monitoradores de saúde já conhecidos.

Os wearables dedicados a coletar atividade cerebral funcionam através de eletroencefalografia. Isto é, a detecção de impulsos elétricos produzidos pela nossa mente, que depois são interpretados a partir de programas de inteligência artificial. O próprio Neurable, por exemplo, pode ajudar o usuário a entender qual é o horário em que ele trabalha com maior foco e concentração, além disso ele te avisa o momento ideal para tirar uma pausa do trabalho. Já o Elemind, criado por uma empresa inglesa, é voltado para o sono, mas ele vai além do monitoramento, o objetivo é melhorar a qualidade do seu descanso. Quando ele percebe que o usuário está com o sono muito leve ou em vias de despertar no meio da noite, emite sons conhecidos como pink noise para ajudar a pessoa a entrar em um modo mais profundo de sono.

Fotos: Reprodução/Internet

Aqui, no Brasil, esse tipo de wearable ainda é pouco conhecido. E a verdade é que esta também é uma tecnologia com suas limitações. A inteligência artificial ajuda na interpretação dos dados, mas a atividade cerebral é algo muito particular e que pode revelar muito sobre o estado mental e emocional de cada um, o que coloca uma questão importantíssima de privacidade e proteção de informação. Onde e como serão armazenados esses dados? Quem terá acesso a eles?

Em 2023, o senador chileno Guido Girardi foi à Justiça contra a empresa americana Emotiv, que vende uma faixa de cabeça que monitora atividade cerebral e é voltada para foco, meditação e saúde cognitiva. O senador alegou não saber que, ao concordar com os termos de uso da empresa, estava liberando acesso irrevogável a todos os dados coletados do seu cérebro. A Justiça chilena determinou a proibição da venda do produto até que sua política de privacidade fosse revista. Este caso foi o primeiro – e até o momento, o único – mas levantou algumas questões que podem passar desapercebidas para o consumidor desse tipo de produto.

Referências

Neurable. State of Cognitive Wearables (2026).

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